Belo Horizonte
8 Dezembro, 2008



“Um curral Del Rey de belos horizontes” , esplendorosa imagem que se avista.
Girando pelos aclives e declives desta cidade notasse que todo o planejamento feito para uma cultura elitista hoje esta sendo sufocada pela urbanística de ruas largas e congestionadas com calçadas sujas e vazias, criando sua memória atual de muita história perdida.
Meio ao sufoco mudanças nas obras públicas da prefeitura da cidade nitidamente beneficiam a maioria, incentivando os cidadãos a conhecerem sua cidade. Ajuando a brotar exemplos de humanidade.

Observar
18 Novembro, 2008
O objetivo da viagem pelo litoral norte até a região dos lagos do estado do Rio de Janeiro fez parte da continuidade do projeto de educação ambiental exigido pelo IBAMA como medida compensatória pelo licenciamento ambiental do campo de Polvo, sob coordenção da Abaeté-estudos socioambientais. Foram realizadas reuniões com os grupos de alunos da oficina de cinema ambiental Humano Mar em nove cidades das dez que recebem o projeto.
Sete de novembro de dois mil e oito, eram onze e quarenta da noite quando brindamos a chegada a Grussaí. Após uma bela peixada seguimos pela avenida beira mar até quando a estrada é desviada por dunas de areia, levando a serena Atafona (veja o filme: Lembra-te do dia de sábado). A garoa caía quando saimos do carro para avistar da praia as ruínas devoradas pelo mar, impressionante!! esta é a palavra. Na manhã do dia oito vendo esta pacata cidade e seus simples cidadãos na velocidade média da bicicleta, tornasse nitido que o tempo é outro por aqui. Essa afirmação se aviva quando a beira mar se vê uma cidade em ruinas na velocidade das ondas que ao bater na areia soa como uma escavadeira remoendo a terra e seus entulhos.
Agora é noite em Atafona, à luz de velas nobres degustam uma bebida dgina, aos ouvidos permutas de conhecimento dosadas de simples percepção do mundo em sua relação primeira. Uma relação com o tempo, formando a memória que fica(rá).
O universo estava em um casco de tartaruga.
O dia nove começa abafado, na rádio a Educativa em um dia de ressaca e pela frente alguns quilômetros até Barra do Itabapoana. Distrito estagnado, bêbado, sem rumo e incoberto pela incerteza. O dia continuou abafado e a chuva da noite aumentou o bafo. O quarto de hotel quente tira da cama e faz o dia dez começar cedo.
Não demorou e já observava quilômetros se passando até Macaé, cidade no vapor do “progresso” calcada na econômia do petróleo, dando atenção a beleza e esquecendo que precisará de sustento. A noite foi de caminhada em busca de cozinha, de barriga vazia e com o exercicio em dia, a noite foi de sono pesado lembrando a picanha na chapa das cinco da tarde.
Café da manhã do dia onze no “Cris Kelly” hotel, a simpatia da garçonete encobria o fraco café que ameniza a solitaria formada pela caminhada da noite anterior. Mais uma vez estrada, destino Rio das Ostras, passavam do meio dia quando andavamos pela cidade voltada para a cultura automobilística esquecendo das necessidades humanas para o desenvolvimento do tecido urbano. Cidade sufocada que respira a beira mar.
Errando o caminho para Búzios (veja o filme: Geribabel o filme) ás seis e meia da tarde sentisse o glamour da cidade, em rápida passagem pouco vimos da cidade e suas ruas de pedra para poucos. Lombadas eletrônicas controlam o caminho de volta a Rio das Ostras. Noite para relatar o vivido ao som do mar que acalma o quarto da pousada Virgem.
O dia doze começa com preguiça embalada pelo som das ondas e um visual relaxado pela verdejante mata emoldurada pelas janelas. O tarde calma conduz para um encontro de política firme modificada na continuidade até as vinte quatro horas da costa azul em uma mesa com bancos rústicos se faz política ao som do violão acompahando a voz do dono do bar que se dependesse da sua contoria ja teria fechado. Joana é a praia de onde brevemente avistamos as luzes da região dos lagos, curto intervalo até o sono virgem.
Dia treze começa com sol fraco, rápida passagem pelo centro sufocante de Rio das Ostras e já dirigia sentido sul para Cabo Frio, a cidade praiana dos mineiros é hoje uma metrópole importante para a região, seu crescimento é nitido assim como todos os problemas de um grande centro. A partir de hoje Cabo Frio se torna base para as visitas as cidades vizinhas.
São Pedro da Aldeia cada vez mais próximo de Cabo Frio, o trecho é rápido até a casa de Azulejos, famosa residência pelo fato da princesa Isabel ter feito dali pouso em uma viagem, a cama quebrada resiste no quarto húmido no centro da casa. São Pedro da Aldeia é uma cidade que flui a passos lentos, no ritimo de interesses de algumas familias.
Retorno á cabo Frio, no canal festa Portuguesa na cidade chuva e a procura por um kibe árabe único estava cansando, ja desistindo quando a resposta de um grupo de pessoas foi positiva mostrando que estávamos próximos do esperado kibe. Casa aconchegante, decoração legitimamente árabe, chegamos e tiramos o sossego da Vovó que conversava, muitos minutos depois adentra a sala eles os quatro kibes lindos e cheirosos, acompanhados de uma pequena baratinha que com agilidade fugia dos tapas da Vovó, que rapidamente soltou os kibes na mesa e tratou de sacudir a bandeja espantando a pequena. O desejo pelo kibe era tanto que a presença da francesinha passou desapercebido, álias ela deve fazer parte do sabor único.
Manhã do dia quatorze com notícias sobre as fortes chuvas, de dentro do quarto escuro não dava para imaginar tais chuvas e muito menos as previsões para os dias seguintes. A tarde chegou no mesmo “bode” da manhã, hoje a estrada é sentido Araruama, cidade bagunçada com pessoas interessadas em sua memória prontas para produzir cultura. Na volta a Cabo Frio breve parada na Casa de Azuleijo em São Pedro da Aldeia para a primeira sessão do Cineclube Apoena (quem encherga além), depois poucos quilômetros até Cabo Frio onde a noite estrelada ia contra as previsões torrenciais.
O dia quinze de novembro da república começa à tarde depois de uma sessão de sonoterapia, dia ensolarado a caminho de Arraial do Cabo cidade veraneia de belas paisagens, com suas ruas cheias lembrando a década de oitenta. Retorno calmo pelas dunas até Cabo Frio com suas ruas cheias para a festa Portuguesa, um rápido lanche e voltava para a sonoterapia.
Dia dezesseis começa ensolarado contrariando todas as previsões, após o café inicia mais uma sessão de sonoterapia. Logo chegava a hora de arrumar a mochila, hoje a reunião é na própria Cabo frio na casa quinhentos anos a beira do canal onde também acontecia uma exposição cartográfica. Na sala ao lado um inusitado professor de modelo e conosco a última reunião desta viagem.

Logo estariamos na estrada observando o pôr do sol e com o carro florido como não tinhamos visto até aquele momento, parada estratégica para o pão com linguiça e já eram quase meia noite quando se concretizava a volta na porta de casa.
Nesta rota do Brasil Observar a Diversidade, incentivar a Autônomia fazendo com que todos se tornem Protagonistas para a formação eficiente de rede, foi o aprendizado que ficou.
Mais do mesmo, com mais ainda….
6 Novembro, 2008
No mês de novembro será realizado na cidade de Brasília, o encontro internacional sobre mobilidade por bicicleta.
Observando a programação, percebesse que será dito mais do mesmo, com a presença de figuras ilustres do governo, da sociedade civil organizada e estrangeiros mostrando seus pontos de vista.
As apresentações sobre o parlamento e a defesa do direto a mobilidade urbana, e as questões de cidadania e direito a cidade, mostram a importância da mobilidade na formação da cidade, fazendo da bicicleta um instrumento sensivel nessas relações.
Será bom ver os resultados desta importante conferência, que mesmo com todas as limitações visa cultivar o hábito da bicicleta.
Relação – Qual é a sua com “o mundo” ?
31 Outubro, 2008


do Lat. relatione
s. f.,
acto ou efeito de relatar;
narração;
notícia;
descrição;
informação;
rol;
lista;
ligação;
conexão;
analogia;
comparação entre duas quantidades comensuráveis;
quociente;
ligação entre pares de elementos;
espaço entre dois sons, na música;
tribunal judicial de segunda instância;
(no pl. ) convivência;
(no pl. ) pessoa ou pessoas com quem se convive;
(no pl. ) conhecimentos;
(no pl. ) cópula;
(no pl. ) acto sexual.
Psic.,
-s humanas: expressão ligada à racionalização e organização científica do trabalho, pretendendo, então, traduzir a importância atribuída aos factores humanos numa empresa;
-s públicas: conjunto de actividades que trata de influir na opinião pública para suscitar nela uma reacção favorável à empresa.
Zona Portuária
23 Outubro, 2008
Em uma pedalada pela zona portuária da cidade do Rio de Janeiro, percebe-se caminhos e lugares, com uma concentração de história e memória diferentes da que geralmente conhecemos. O porto, é onde começam a maioria das cidades, a porta de contato com o mundo, região de muito movimento, mercadorias, pessoas, histórias, intercâmbio.
Assim que avistei a ladeira do Juramento, percebo que cheguei em uma região que só tinha visto nos livros e mapas digitais. Senti uma região de memória atual estática, presa em seus casarões abandonados fazendo um conjunto com poucos prédios altos que aparentam tanto abandono quanto. Os fios embrenhados no alto combinam com o asfalto ondulado e esburacado, que leva a uma sensação de estar indo pelo histórico caminho do cemitério. Um ambiente pouco convidativo, que sempre esteve e está no descaso da cidade.
Neste cenário, vi miséria em lixões improvisados, senti riqueza em casarões ao meio da pobreza pelas ruas, vi alegorias de luxo no samba, vi de um outro ponto geográfico do morro da providência e o cais do porto, visitei lugares que lutam para a preservação da nossa história. E lógico, as pessoas, essas sempre estiveram, estão e estarão lá, fazendo a cidade. Ganhei bons dias, atenção, cordealidade e informações únicas que eu gravo no coração. Seja Gamboa, Saúde, Santo Cristo, Providência, Livramento e toda região , me senti bem conhecendo a cidade que vivo.
Se sensibilizar a partir da bicicleta, contribui para nossa responsabilidade na construção da memória de nossa cidade, de nosso país. Transformar a relação com a história, deixar de ser individual, pode-se resultar em ações coletivas.









